
O cartão de crédito segue sendo, em 2026, a forma mais previsível de acumular milhas com custo fixo no Brasil. Com a maturação dos programas bancários (Livelo, Esfera, Átomos, LATAM Pass, Smiles, TAP Miles&Go) e o fim de jogadores históricos como Multiplus (rebrandeada como LATAM Pass em 2020) e Amigo (da Avianca Brasil, encerrada em 2019), o jogo mudou — mas a lógica do checklist permanece. Abaixo, a versão atualizada dos 7 mandamentos para turbinar seu saldo sem cair em armadilhas comuns.
Mercado, farmácia, streaming, conta de luz, IPVA — qualquer despesa que pode ser paga no crédito deve passar pelo plástico que pontua. Pequenos gastos diários são o que constroem a base do saldo no fim do ano. Ignorar uma compra de R$ 30 porque "rende pouca milha" é o erro número 1 do iniciante.
Use sempre os shoppings de pontos antes de qualquer compra online: Shopping LATAM Pass, Clube Smiles, Shopping Livelo, Esfera Shopping. Eles devolvem pontos extras em cima do que você já pontua no cartão — é dinheiro deixado na mesa quando ignorados. Ferramentas como Méliuz e cashback de bancos digitais também se acumulam por cima sem conflito.
Programas bancários (Livelo, Esfera) rodam promoções recorrentes de transferência bonificada para parceiros aéreos, normalmente entre 80% e 100% de bônus, e em campanhas pontuais ultrapassam isso. Transferir fora de promoção é, na prática, jogar metade dos seus pontos no lixo. Mantenha os pontos no banco até a janela certa abrir.
Plataformas como Mercado Pago, PicPay e fintechs especializadas permitem pagar boletos, aluguel e tributos no cartão de crédito. A taxa cobrada (normalmente 1,99% a 3,99%) precisa ser comparada com o valor da milha gerada — em cartões premium com bom multiplicador, ainda vale a pena, especialmente perto de promoções de transferência.
Diluir gastos entre Livelo, Esfera, Átomos e pontos do próprio banco fragmenta o saldo e atrasa o resgate. Escolha o ecossistema dominante do seu banco principal (Bradesco/Banco do Brasil → Livelo; Santander → Esfera; Itaú → Átomos/Sempre Presente) e concentre. Saldo concentrado = bônus de transferência aproveitado de verdade.
Cartões que pontuam direto em LATAM Pass, Smiles ou TAP Miles&Go parecem atraentes, mas tiram você do jogo das promoções de transferência. Como os pontos já caem na cia, você perde os bônus de 80–100% que os bancários oferecem várias vezes ao ano. A regra é: pontue no banco, transfira na promoção. A única exceção razoável são cartões premium com benefícios de viagem (salas VIP, seguros, status) que justifiquem a anuidade por si só.
A escolha do cartão é a decisão mais importante de todo o processo. Calcule: anuidade anual ÷ milhas geradas no ano = custo da sua milha. Se o resultado fica abaixo do preço que você venderia essa milha, o cartão se paga. Cartões que dão isenção de anuidade por gasto mínimo, multiplicadores em categorias específicas (supermercado, combustível, viagem) e acesso a transferências bonificadas costumam ser os mais eficientes para o perfil brasileiro.
O cenário se reorganizou bastante: a Multiplus foi absorvida pela LATAM Pass em 2020, unificando o programa de fidelidade da LATAM no Brasil; a Avianca Brasil (programa Amigo) encerrou operações em 2019; e os programas bancários consolidaram seu papel central como hub de acúmulo. Hoje, Livelo e Esfera concentram a maior parte das promoções relevantes de transferência para parceiros aéreos.
Acumular é só metade do trabalho. Quando o saldo estiver maduro e você não tiver uma viagem no radar, vender milhas é uma forma de transformar pontos em dinheiro sem deixá-los expirar. Você pode vender pontos Livelo diretamente pela BankMilhas, ou consultar as cotações atualizadas de vender milhas LATAM Pass e vender milhas Smiles para decidir o melhor destino do saldo. Para valores atuais de cotação e bônus vigentes, consulte sempre a página do programa, já que o mercado oscila semana a semana.
Seguindo esses sete mandamentos, o cartão de crédito deixa de ser só um meio de pagamento e vira uma máquina silenciosa de gerar viagens — ou renda extra — ao longo do ano.